domingo, 19 de junho de 2011

É deveras interessante chegar à conclusão de que cada palavra tem os mais variados significados dependendo da orientação que lhes queremos dar; a título de exemplo: Geomorfologia. Assisti, em tempos idos, à tese de doutoramento do Prof. Rochette em que o tema versado era, em traços gerais, a Geomorfologia. Falava com todo o propósito te factos palpáveis, mensuráveis, datações, aspectos físicos do mundo que nos rodeia, da forma física das coisas e os seus porquês. A crítica maior que lhe apontaram foi se referir a periodos longos da história como "momentos".
Muito antes disso, já eu estudava Geografia, tive a estrondosa oportunidade de participar numa tertúlia com o Dr. Juan Sfeir-Yunis, Chileno, Geógrafo, Economista, adido das Nações Unidas, mas tão desprendido das questões materiais que me abriu a mente para uma realidade menos óbvia do que a que estava familiarizado, encarando a Geomorfologia como um resultado não apenas físico da acção natural do planeta, mas também minuciosamente conectada aos agentes imateriais do quotidiano.
Talvez tenha sido devido a este confronto abismal de ideias sobre o mesmo tema que me despertou para a factual presença da ambiguídade em que vivemos; disfrutamos de momentos repetidos, efémeros ou perenes, mas sempre significativos, que nos moldam a alma e nos constroem o espírito. Cada momento tráz sabedoria empírica, cada traço passado representa uma conquista privada, cada tempo vivido ostenta um conhecimento válido...
Orgulho-me de sentir que com todos os momentos aprendi e continuo em formação. Se nunca errar é porque não o vejo, logo abdico de crescer.

Olhar, não é ver, e perceber isso é reinar em terra de estúpidos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Às vezes vivemos no medo e nem damos conta. A vida não deixa de passar por causa disso. O quotidiano é redondamente a mesma monotonia que nos absorve e consome e nos dá a sensação de alegria ou tristeza... mas no fundo é só sensação... na verdade só existe vazio.
Não é fácil dar conta disso, de que nos deixamos envolver e embrulhar pelo medo de viver, que há algo maior, uma vontade extrema de atingir um objectivo que nos cega ao ponto de não vermos verdades maiores e intrinsecas, de não sentirmos o que verdadeiramente nos vai na alma...
Às vezes é preciso um abalo, uma doença, uma ecatombe para nos abrir a alma e soltar o medo... não que ele fuja ou desapareça, mas para o enfrentarmos... para o olharmos nos olhos e dar o peito e lutar contra ele...
Ele há medos que vencemos... e há medos que temos que aprender a viver com eles... há marcas que saram e cicatrizes que desvanecem... mas com tudo aprendemos a não voltar a errar na vida...
Há passados que nos dão pena... que podiam ter sido tão diferentes... e há futuros tão risonhos que não têm passado...
Às vezes esse medo escolhe-nos um caminho sem medo e sem medo é por onde eu vou...

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domingo, 22 de maio de 2011

Tenho um dom que não sei usar: o de ser objecto. Não objecto de uso, mas de fruto. Objecto de objectivo largo, perene e solúvel. Pareço ter um interesse particular que me surpreende e ao mesmo tempo me renega. Ser objecto é como uma doença que se espalha pelo corpo e transcende o ridículo e o absurdo... é ser um infinito mar de devaneios de outrem, díspares e incoerentes, malignos e impregnados de malvadez...
Ser objecto é também ser único. Singular, irrepetível e impenetrável... Inerte, hibrído e insensível...
Ser objecto é fazer acreditar que se o é... e deixar que isso me torne importante sem o ser...

terça-feira, 17 de maio de 2011

"i"

"i" chove lá fora como se não houvesse amanhã
"i" troveja, retumbante, como um bombo rouco
"i" sei que antes o céu estava limpo
"i" sei que depois também estará
"i" por entre cada pingo nada me aflige
"i" por cada gota que me escorre nada me desvia
"i" tenho certezas, mais que dúvidas
"i" desejos i vontades i insanidades
"i" volto ao meu lugar de direito
"i" tenho direito ao sol por entre a chuva
"i" quando o arco-iris chegar
"i" ligar as pontas soltas
este "i" passa para aqu"i"

sábado, 30 de abril de 2011

Estava agora a rever o filme "I am Legend". Apesar das críticas mais diversas, confesso que gostei mesmo muito; do argumento, da fotografia, da realização... mas sobretudo da mensagem...

"light up the darkness"...

Podemos andar muito tempo embrenhados numa bruma autodestrutiva que não nos deixa ver em redor... perder tempo em rotinas depressivas e a insistir no recorrente erro...

"light up the darkness"

mas se olharmos bem há nossa volta, há sempre uma luz que nos faz levantar...

"light up the darkness"

terça-feira, 29 de março de 2011

Change in modesty

foremore left behind

as it should always be

A need is uterly primal

but never ever enough

To want or wish for more

will make me climb up

But each step I take in fortune

sets me in total rupture and denial


Still it feels good

Still is what I want

It's now on my mind

domingo, 27 de março de 2011

Uma surpesa é-me sempre arrebatadora. Pode ser planeada para me deixar desprovido de palavras. Posso eu magicar uma para surpreender alguém e mesmo assim ficar tão feliz pela reacção que provoca... Pode ser um simples imprevisto, acontecimento do acaso, que me apanha desprevenido. Nesse caso, umas surpresas deixam-me deslumbrado... outras são decepcionantes...