sexta-feira, 26 de novembro de 2010

converso com a certeza
de que o certo e o incerto
se juntam numa dança
de novena paladina
ouço palavras à minha volta
conversas soltas e pegadas
mas não escuto discursos
voláteis nem emergentes
peço e esqueço virtudes
relembro dobras lisas
e recordadas no redobrado
prazer de quem se perde
ao encontro de um torto
e fugaz carácter
planeio um pleno nada
desconcertante e fusco
brilhante como ontem
encontrei alguém
deixado ao acaso
projectando entropia
num organizado caos
filosoficamente falando
mantenho-me calado
na sonoridade épica
de uma selva orquestrada
disponho de uma disponibilidade
mórbida de sofrimento
àspero e inteligente
à volta de um passo quente
passo a voltar ao calor
da simbiose cíclica e cintilante
por entre o véu
espreita o breu
que resta do descanso merecido
feita a guerra branca
em paz perdida
pausa a sorte em causa justa

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

metafóricamente falando
do efémero género ético
indubitavelmente vago
concluo que etéreamente
navegando em plumas quentes
e folhas brancas sujas
o destino a que me proponho
não me foge nem me acompanha
nem me procura
apenas se mantém estávelmente
distante, mas alcançável
dificil, mas atingível
impugnávelmente atroz
na hora do concreto sabor
e do paladar da vitoria

domingo, 21 de novembro de 2010

to know somewhat someone
to feel a temper inside
wild chase burns slow
seaside over tide

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O rascunho de uma definição...

A estaca do meu fundamento
não desce à minha segurança
não sobe à minha superfície.
Arranho o meu próprio corpo
na minha própria subida
na minha própria ansiedade.
Não espero, porque não posso,
não aguardo, porque é ilógico,
não sossego, porque já o fiz
e não repito o mesmo inverno.
Reparo na minha intermitência.
Reparo na minha ignorância cognitiva
no que concerne ao repetitivo
oráculo mórbido, cíclico,
de esfera pouco celestial.
Ofusco prepositadamente
a luz interior que me cega
e acaricio-me violentamente
contra o meu próprio peito,
balanceio e afago o afecto
como se de uma criança se tratasse,
ou um papel, ou uma ideia, ou uma trovoada.

Hoje, um dia tive o que sempre quis...
Amanhã, tenho o que nunca tive...

O rascunho de uma definição...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

weather lock
storming clouds
no more rain or dust or mud

happy rain
on slipery floor
wash the pain and ache and burn

all gone
all earned
every coin and time and lust

silly fest
petty talk
have me, need me, want me on

it's a hollow point of turn
I was gone
I have returned
Sabes, filho? O pai também já teve a tua idade... Também passei por onde tu pisas, também tive as mesmas dúvidas, também achei que tinha certezas... Houve uma altura em que também parecia que tudo o que fazia era o mais certo, mas depressa aprendia que não... mas aprendia da pior maneira... não tinha ninguém para me explicar... demorou, mas cheguei à conclusão que há caminhos mais longos, mas menos tumultuosos...
Cada passo que deres será sempre definitivo. Depois de pousares o pé o passo está dado. O que te defenirá como Homem é teres a grandiosidade de saber recuar se errares ou avançar sem medo se for o mais acertado. Nunca terás a certeza, mas sei que um dia saberás arriscar ponderadamente... um dia vais sentir aquilo que te preenche... e a cada passo que deres terás a consciência que é esse o caminho a seguir... e espero que te lembres desta conversa...
até sempre...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

relembro o tempo
de um passado longínquo
azedo, murcho, doente.
vejo memórias trémulas
do acre sabor da dor
e do turvo dos meus olhos.
recordo que não via,
que sentia uma realidade
distorcida e dicotómica.
as vontades não prevaleciam
e o severo quaotidiano
arrastou comigo o meu mundo.

se o tempo passa e magoa,
o tempo volta e cura.

o tempo seca as lágrimas,
dá-nos rumo
e ensina o caminho.
o tempo fortalece o espírito,
tráz calmaria e vontade.
e a vontade hoje é outra,
nova e constante.
e o tempo pode avançar
ou volver ou estagnar,
mas nunca mais trará dúvidas.

é tempo de usar o tempo a meu favor.