segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A distância é a medida da comunhão.
É preciso igualar os passos para encontrar o meio sentido.
Se forem díspares seguimos caminhos diferentes.
O tempo é a medida do coração.
Nunca é tempo suficiente, nunca é tempo demais.
É sempre a tempo de medir.
O tempo que tomo para correr esta distância
é indirectamente proporcional
ao inverso do coração elevado à comunhão.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Se tu soubesses...

Se tu soubesses o que eu passei este ano...
Se tu soubesses as noites que eu não dormi,
os dias que não vivi, as tardes que murchei....
Se soubesses as tormentas que passei
e o que me passou pela cabeça...
Se soubesses o que eu fiz e o que deixei de fazer...
Se soubesses o que me custou este ano...
Se soubesses o que me preocupou,
o que me importou, o que odiei...
Se soubesses o que me ajudou,
o que me amparou, o que desejei...
Se soubesses o que nunca me fez sentido...
Se soubesses o que perdi, o que achei...
Se tu soubesses o que te queria dizer...
Se tu soubesses ouvir...
Se soubesses o que sabes agora...

Se soubesses que eu sei
que este ano vai ser diferente...
Ai se tu soubesses...

domingo, 19 de dezembro de 2010

alguém como eu

Do lado de cá mora alguém como eu. Quando olho pela minha janela, embaciada pelo frio, vejo o fusco lar de um desalojado, sem abrigo como eu. Sem abrigo não! Tenho casa, tenho para onde ir, só não quero ou é como se não soubesse o caminho, nem quisesse saber. É a diferença entre ter casa ou ter um lar... tenho quatro paredes, mas não me abrigam, não me aconchegam... não cá chega o frio, mas não me aquece... aqui tenho liberdade, mas não a quero... tenho independência, mas repugno-a... tenho privacidade, mas não preciso... As minhas paredes estão nuas. Não as visto porque não são minhas, não lhes tenho sentido de pertença. Esta luz não me ilumina, vejo o mesmo de sempre... nada, ou nada que me suscite interesse... Abro a porta, mas não me leva a lado algum... fecho a porta, mas não deixo nada lá fora, nem cá dentro... é inútil...

Tenho o que toda a gente quer e não o quero... quero o que ninguém tem e não o posso ter... Do lado de lá também mora alguém como eu...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

converso com a certeza
de que o certo e o incerto
se juntam numa dança
de novena paladina
ouço palavras à minha volta
conversas soltas e pegadas
mas não escuto discursos
voláteis nem emergentes
peço e esqueço virtudes
relembro dobras lisas
e recordadas no redobrado
prazer de quem se perde
ao encontro de um torto
e fugaz carácter
planeio um pleno nada
desconcertante e fusco
brilhante como ontem
encontrei alguém
deixado ao acaso
projectando entropia
num organizado caos
filosoficamente falando
mantenho-me calado
na sonoridade épica
de uma selva orquestrada
disponho de uma disponibilidade
mórbida de sofrimento
àspero e inteligente
à volta de um passo quente
passo a voltar ao calor
da simbiose cíclica e cintilante
por entre o véu
espreita o breu
que resta do descanso merecido
feita a guerra branca
em paz perdida
pausa a sorte em causa justa

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

metafóricamente falando
do efémero género ético
indubitavelmente vago
concluo que etéreamente
navegando em plumas quentes
e folhas brancas sujas
o destino a que me proponho
não me foge nem me acompanha
nem me procura
apenas se mantém estávelmente
distante, mas alcançável
dificil, mas atingível
impugnávelmente atroz
na hora do concreto sabor
e do paladar da vitoria

domingo, 21 de novembro de 2010

to know somewhat someone
to feel a temper inside
wild chase burns slow
seaside over tide

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O rascunho de uma definição...

A estaca do meu fundamento
não desce à minha segurança
não sobe à minha superfície.
Arranho o meu próprio corpo
na minha própria subida
na minha própria ansiedade.
Não espero, porque não posso,
não aguardo, porque é ilógico,
não sossego, porque já o fiz
e não repito o mesmo inverno.
Reparo na minha intermitência.
Reparo na minha ignorância cognitiva
no que concerne ao repetitivo
oráculo mórbido, cíclico,
de esfera pouco celestial.
Ofusco prepositadamente
a luz interior que me cega
e acaricio-me violentamente
contra o meu próprio peito,
balanceio e afago o afecto
como se de uma criança se tratasse,
ou um papel, ou uma ideia, ou uma trovoada.

Hoje, um dia tive o que sempre quis...
Amanhã, tenho o que nunca tive...

O rascunho de uma definição...